sexta-feira, 27 de julho de 2012

ESPIRITUALIDADE E HUMOR


Um dos filmes que recomendo para assistir ou um livro para ler é “O Nome da Rosa” de Umberto Ecco. Não desenvolverei aqui a trama do filme ou do livro, mas posso informar que a história retrata um pouco a concepção confusa do evangélico de hoje entre a espiritualidade e santidade. Nesta história os escritos de Aristóteles, em sua maioria, eram de proibida leitura na época, sendo inclusive o Segundo livro da Poética de Aristóteles a causa das mortes ocorridas no mosteiro (onde morreram pelo envenenamento de suas páginas). Venâncio, o tradutor de grego, morreu envenenado. Berengar, conhecedor dos livros proibidos, “espiritualmente perigosos”, também morreu envenenado. Encontramos um momento de divergência no filme entre William e o monge beneditino Jorge, onde o segundo afirma que “Um monge não deve rir! Só os tolos riem à toa! (…) O riso é um evento demoníaco que deforma as linhas do rosto e faz os homens parecerem macacos”; o primeiro contrapõe dizendo que “Aristóteles dedicou o Segundo livro da Poética à comédia como instrumento da verdade”. Mais ao final do filme, William questiona a Jorge porque tal obra lhe causa tanto temor, respondendo esse: “Porque é de Aristóteles” e ainda “O riso mata o temor, e sem temor não pode haver fé”.
Gostamos de rir e até fazer rir aos outros. Gostamos de contar nossas histórias ou anedotas engraçadas, mas muitos não conseguem ligar a espiritualidade ao humor. Não se pensa que na nossa humanidade há o sentimento do rir e que é possível ligar o humor à espiritualidade. A espiritualidade são sentimentos que nascem da alma estimulada por circunstâncias agradáveis. Quando rimos diante de alguém que cai de forma engraçada nos sentimos culpados, a sensação de pecado inunda nosso ser e confessamos este sentimento diante de Deus. Mas quando rimos ou nos beneficiamos do bom humor não sabemos responder com um sentimento de adoração, de gratidão, do reconhecimento do divino que nos permite rir. A culpa demoníaca pode ganhar um espaço maior do que a gratidão ou adoração naquele momento do bom humor permitido pelo Deus Bom humorado
 Se pudesse voltar aos tempos do ministério de Jesus, gostaria de ouvir e ver a cena quando Jesus na sua oração exclama: “Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra...” Lucas 10:21. Algumas rápidas inferências do texto: Primeiro, a palavra “Santo” não faz parte do texto original. Os tradutores mais conservadores demonstram o apego a marca repressora que tem marcado o cristianismo ocidental desta forma se coloca a palavra Santo para desumanizar o riso de Jesus. Segunda, a ideia o termo grego traduzido por “alegrou” apresenta a ideia da exuberância das danças e daqueles que dão cambalhotas. A alegria de Jesus era extrema que não creio me equivocar se traduzir o texto por “Naquela mesma hora Jesus deu gargalhadas...”.
 Há muitos outros momentos nos quais a espiritualidade do Senhor se mistura com o bom humor, a risada, a anedota, a gargalhada. Mas lamentavelmente a leitura da bíblia desumanizada, sem a participação da integralidade do ser faz que de uma forma geral o leitor bíblico perca a realidade existencial e humana dos textos sagrados que nos conduziriam a viver a vida cristã de forma mais humana, pois a espiritualidade cristã genuína não nega a humanidade. Para crescer na espiritualidade cristã necessitamos ser integralmente humanos.

2 comentários:

  1. BOA TARDE , TENTEI ENVIAR UM EMAIL SOLICITANDO AUTORIZAÇÃO PARA USO DE ALGUNS TEXTO QUE ACHEI INTERESSANTE COMO FAÇO? GOSTEI MUITO VOU SEMPRE TIRAR IDEIAS AKI OK? P.S CITO SEMPRE A FONTE RSRRS

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    1. eduardo, pode usar a vontade os textos do blog....como vc diz citando a fonta nao ha problemas

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