sábado, 18 de agosto de 2012

Espiritualidade da Religião e Espiritualidade da Graca


         O dicionário Aurélio oferece algumas definições sobre religião, dentre as quais e escolhi duas: “A manifestação de (...) crença por meio de doutrina e ritual próprios, que envolvem, em geral, preceitos éticos”; e “Qualquer filiação a um sistema específico de pensamento ou crença que envolve uma posição filosófica, ética, metafísica, etc.” Essas duas definições refletem o espectro religioso evangélico-cristão da atualidade.
Por maior que seja a tentativa de fugir ou de procurar outras definições para escoar do meio daqueles que ligam as “boas obras” como um meio de alcançar Deus, não há como ser cristãos hoje, sem deixar de ser religioso. O discurso de rejeitar a noção que o cristão evangélico não é religioso se dilui na sua prática específica de atender aos “pecadores”.
A única forma de fugir da religiosidade evangélica atual está que o penitente se volte totalmente para a Graça do Deus Soberano que amou sua criação e se liberte de qualquer institucionalização de juízo.
            A Graça é indefinível e não pode ser colocada em tubos de ensaio. É um ato inexeqüível quando o homem deseja expor os contornos e formas dessa graça. Ela não tem forma definida. É possível de ser visualizada, mas nunca de ser definida logicamente. A incapacidade humana frustra o desejo dos autores, poetas, profetas, adivinhos, sacerdotes e outros em achar uma definição que satisfaça o coração do ser humano e descreva fielmente a graça divina. Nesta intenção da definição sempre existirão dúvidas.
A graça é humanamente indefinível, mas ela é visualizada por meio das expressões encontradas diante da realidade humana e religiosa que viveu Jesus.
Isso faz nos lembrar de uma das diversas narrações conhecidas que Lucas oferece no seu evangelho (Lc 7:36-50), na qual a  religiosidade inata no ser humano conduz o próprio autor sacro a nomear esta mulher como “pecadora”.
Lucas, usado por Deus dentro da sua cosmovisão, ajunta-se ao fariseu e a pressão social, a mulher não convidada ao jantar a conotação de pecadora, epíteto que a sociedade também já tinha dado e qualificado a mulher.
A religião rotula e oferece hierarquias sócioespirituais, mas a encarnação da graça não rotula a mulher, e sim a define em seu gênero: mulher que ama, “porque ela muito amou”. A graça vê, reconhece e oferece amor.
A mulher qualificada pela religião como pecadora, ou seja, por suas más ações ou seus pecados, escuta de Jesus que a razão da sua qualificação feita pela religião já “estão perdoados”.
A mulher toca, beija, banha com lágrimas e unguento os pés do homem de Nazaré que estão empoeirados pela terra das ruas da Palestina, e enxuga-os com seus próprios cabelos. Ela, mulher qualificada como pecadora, que conhece o corpo masculino, não hesita em oferecer o melhor que ela tem em sua vida, independente da marca que o contexto social havia lhe dado. A sua qualificação moral dada pela sociedade é quebrada pela graça do seu desejo de tocar, servir e amar aquele que aceitava e respondia ao seu gesto, pois em momento algum ela é detida. Sem se importar como o “ato do toque”, com o “quem é a que toca” e “onde toca”, a graça inefável se encontra nos corpos graciosos da mulher que ama e do mestre Jesus que se deixa amar. A graça além de não rotular permite expressões de amor por meio de gestos.
Tanto o Mestre quanto a mulher personificam a graça. A mulher se dá e o Rabi, oferece o perdão, a aceitação incondicional.  O diálogo da graça não tem empecilhos visíveis ou ocultos.
            A religião permitia a mulher se aproximar somente por trás daquele que era foco da sua atenção. Ela oprime a liberdade, a criatividade, fossiliza os sentimentos que expressam o desejo interno do ser, é ontologicamente cega. No entanto a graça expressa amor, toca e não coloca empecilhos. Enquanto a religião adoece nossa espiritualidade, a graça de Deus a integraliza, pois permite que a expressão de entrega seja total: sentimentos, emoções, corpo: é a espiritualidade da graça voltada não para instituições, mas para vidas, para pessoas, para pecadores como eu e como você.

Um comentário:

  1. PASTOR JOSE MIGUEL NÓS TE AMAMOS MUITO QUE DEUS TE ABENÇOE , SAIBA QUE EXISTE UM PONTO NA VIDA DO SER HUMANO E QUANDO CHEGA ESSE PONTO JESUS DEFINE O QUE É MELHOR PRA ELE , MAIS BASTA SABER SE O SER HUMANO VAI ACEITAR , POIS JESUS IA COM UMA MULTIDÃO MUITO FELIZ , TINHA SALVAÇÃO , TINHA PAZ , TINHA AMOR E TINHA A PRESENÇA DE JESUS , NO MEIO DA CAMINHADA SE DEPARARAM COM OUTRA MULTIDÃO , ESTÁ TRISTE ABATIDA , POIS ERA UM JOEVM FILHO DE UMA VIUVA QUE ESTÁ MORTO , E ESTAVAM INDO INTERRAR , UMA MULTIDÃO DE PAZ , OUTRA DE TRISTEZA , MAIS CHEGOU UM PONTO ONDE JESUS DEVINIU O PONTO E OUVE CURA E SALVAÇÃO .

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