sábado, 8 de dezembro de 2012

ESPIRITUALIDADE E EMOÇÕES



No inicio da vida crista é comum escutarmos a frase “minha vida espiritual” que muitas vezes leva consigo uma conotação bastante ascética. De forma inconsciente, muitos se sentem desafiados a tornarem-se inimigos daquilo que se considerava uma “vida mundana”
Nesta categoria mundana estão catalogados elementos como a cultura, a moral, a vida social, o lazer etc. Desse modo o ser humano sofre uma cisão e sua vida cotidiana é fragmentada o que conduz a viver numa corrente de desintegralização em uma continua frustração confrontado com sua humanidade.
Para suportar e viver esta fragmentação a igreja durante séculos tem se dedicado a orientar o cristão a dedicar-se a prática ascética das conhecidas e diversas disciplinas espirituais, as quais se tornam novas leis que passam a definir os comportamentos e as práticas religiosas que, para alguns, além de serem marcas de espiritualidade são definidoras para o desenvolvimento de um elevado grau de espiritualidade e permitem o correto relacionamento com Deus.
Jesus, a encarnação da realidade humana é o perfeito modelo da espiritualidade. Os evangelhos relatam o Deus-Homem nas ruas da Palestina junto com seu povo, vivendo a perfeição do relacionamento espiritualidade-humanidade. Olhando para Jesus descobrimos que, embora tenha praticado o jejum e a oração no inicio do seu ministério, não são estas as exigências que Ele coloca para um bom desenvolvimento do crescimento cristão. Ele os aprova, mas não são estas exigências legais que Ele aponta para que produzam este crescimento. É a espiritualidade de Jesus que se observou no seu dia a dia e no seu no relacionamento com a pobreza e com a riqueza, com a fome e com a abastança, com o povo e com as autoridades politicas e religiosas.
Sem discutir a validade das disciplinas espirituais tem na vida do cristão e como a história da igreja tenha mostrado isso através de homens e mulheres na prática das mesmas, não devemos esquecer o fator humano, da vida ou da encarnação da vida no dia a dia, como Jesus o fez.
Na caminhada ministerial de Jesus vemos a sua espiritualidade-humanidade desde o momento da sua gestação e nascimento. É no processo normal da criação que “o Verbo se fez carne” ( Joao:1:14), pois foi uma mulher que teve dores no parto e que “deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura (Lucas 2:7). É inevitável não pensar numa criança que nasce sendo um bebe coberto de sangue envolvido numa placenta e nos fluidos corporais envolvidos no parto. Não se pode deixar de não observar a sua preadolescência na procissão a Jerusalém, quando perdeu-se dos pais por quase 4 dias. Alguns anos mais tarde, vemos Jesus divertindo-se, sim, divertindo-se numa festa de casamento junto aos seus amigos e ainda providenciando o vinho para que a festa não acabasse.


Na espiritualidade de Jesus não haviam cisões, nem dicotomias. Suas emoções estavam presentes de forma natural em sua espiritualidade como em sua humanidade, expondo-as como nos momentos de raiva diante das injustiças que os seus irmãos sofriam. Observamos isso na purificação do templo ou quando desafiou Herodes: “Ide, e dizei àquela raposa” (Lc13:32). São impactantes os momentos da despedida de Jesus com os seus discípulos, nos quais ele reconhece e ensina sobre a vida que tiveram juntos: “E vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações”(Lucas 22:28)
O Senhor da História teve seu momento especial e de particular importância na caminha de espiritualidade. A sua espiritualidade-humanidade manifesta-se em sua vida em um momento de profunda angústia e depressão diante da vontade do Pai. Os evangelistas descrevem este momento como agônico, depressivo, com cheiro de morte, pois o texto informa que “posto em agonia, orava mais intensamente. Seu suor tornou-se grandes gotas de sangue que corriam até ao chão (Lucas 22:44) fruto dos sentimentos da sua alma, como são expressos pelo evangelista Marcos: “A minha alma está profundamente triste até a morte”. (Marcos 14:34).
Um dos seus seguidores escreveria mais tarde: “ De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” ( Filipenses 2:5). É o sentimento da encarnação. “O verbo se fez carne, Ele habitou entre nós”. Outro seguidor escrevia “O vimos, o apalpamos, o contemplamos o ouvimos” era a espiritualidade-humanidade entre os homens.
Ouso dizer que a espiritualidade crista, segundo Jesus, é viver a humanidade de forma expressiva. É sentir e viver o corpo; é sentir e viver a emoção. A espiritualidade crista é ser gente, é viver a vida, sentir que sou o invólucro da graça de Deus e como tal tenho que encarnar a realidade da vida onde estou – o mundo.

Um comentário:

  1. Oi Pastor agora sou seguidora de mais este Blog ....uma pergunta ali quando o Senhor fala de Cristo andando pelas ruas com sua espiritualidade...ect... haveria de ser amor=espiritualidade

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